| COMUNICADO | ESTARREJA, 31 DE JULHO DE 2001 |
Uma vez mais verificou-se uma deficiente informação e alerta à população de Estarreja (previstas na legislação), tendo sido também público que as próprias entidades locais ligadas à Saúde e à Protecção Civil, só foram avisadas pela entidade que faz a gestão da rede de monitorização da qualidade do Ar em Estarreja (Direcção Regional do Ambiente Centro) muitas horas depois da ocorrência do primeiro valor acima do limiar de informação ao público (180 microgramas por metro cúbico de ar [ug/m3]).
Esta situação não é de todo aceitável sabendo-se que as medidas preventivas de emergência perante estas situações que devem ser tomadas pela população em geral (não fazer desporto ou outras actividade físicas intensas, evitar sair de casa) só são eficazes se forem tomadas no período em que se verificam estes valores muito elevados de poluição por ozono (que em geral coincidem com as horas de maior intensidade solar).
Não é aceitável também por ser tecnicamente trivial (e de custo nulo) um sistema de aviso automático por correio electrónico ou mesmo por fax, às entidades locais sempre que os valores medidos excedem os limiares previstos na legislação. Seria também desejável, por forma a tornar mais eficaz a informação à população, que fosse possível um qualquer cidadão receber essa mesma informação por correio electrónico fazendo um registo nas Direcções Regionais do Ambiente respectivas (o custo desta medida seria também nulo, e de implementação técnica elementar).
Seria desejável que houvesse um mínimo de coordenação entre a DRAC e a Protecção Civil Municipal de Estarreja, não só relativamente ao ozono mas também em relação a outros poluentes, por forma a melhorar a eficácia na informação e alerta da população.
O Ozono (quando na troposfera) devido às suas características físico-químicas é um poluente que pode para concentrações elevadas trazer problemas graves de saúde, em particular no sistema respiratório e nos olhos. A toxicidade do ozono aumenta com o aumento da sua concentração, com o tempo de exposição e com o aumento de actividade física.
A Organização Mundial da Saúde afirma peremptoriamente que resultam efeitos agudos adversos caso se faça actividade física intensa em horas em que se verifiquem concentrações acima dos 500 ug/m3 (como aconteceu entre as 9 e 10 da manhã de ontem). Esta organização aponta como valores guia para concentrações aceitáveis de ozono 120 ug/m3 para períodos máximos de 8 horas. ( http://www.who.int/environmental_information/Air/Guidelines/Chapter3.htm)
Achamos fundamental que, com a máxima prioridade, se estudem quais as causas responsáveis por estes níveis elevados de ozono em Estarreja, por forma a que se possa actuar na(s) fonte(s).
O ozono é um poluente secundário formado a partir de dois outros grupos de poluentes (primários): os óxidos de azoto (cuja origem será a queima de combustível), e os chamados compostos orgânicos voláteis (COVs). Estes poluentes primários são maioritariamente gerados pelo tráfego automóvel, e por certos tipos de industrias. Sabe-se que é possível o transporte de nuvens de ozono de uma zonas para outras através das correntes atmosféricas, pelo que uma das possibilidades será a de o ozono ter origem fora de Estarreja (provavelmente a Norte já que os ventos vêm nesta altura dessa direcção). No entanto e caso uma vez mais se verifiquem valores muito inferiores de ozono na estação de monitorização existente a Norte de Estarreja (Avanca), o mais provável será haver um contributo local provavelmente com origem na zona industrial -- em particular nos COVs -- na ocorrência deste foco de poluição.
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